Professores enxergam habilidades socio-emocionais como essenciais para melhorar sua relação com os alunos

Eles apontam ainda relação mais prazerosa e efetiva com estudantes, que têm 
maior desempenho acadêmico ao aprender habilidades não-cognitivas

Como melhorar a relação entre professores e alunos e criar um ambiente ainda mais propício para o alto desempenho acadêmico dos estudantes? A julgar pela avaliação dos próprios professores, o caminho é o ensino de habilidades socioemocionais. Pesquisa realizada com professores do ensino fundamental e médio de escolas públicas e particulares do Estado de São Paulo pela Eduinvest, rede educacional focada em desenvolver cidadãos altamente capacitados e conscientes, aponta que para 99% dos entrevistados as habilidades socioemocionais colaboram para uma boa relação em sala de aula entre estudantes e mestres. Já para 98%, o ensino focado nas habilidades é uma alavanca para o desempenho acadêmico. Outra fatia de 91% avalia que os jovens preparados com foco nas habilidades estão melhor capacitados para o futuro.

“O estudo deixa claro que o ensino das habilidades estabelece um potente ganha-ganha entre os professores e alunos”, diz Marco Gregori, presidente da EduInvest, que reúne os colégios Anhembi Morumbi e Anchieta, ambos na Grande São Paulo. “O melhor relacionamento entre docente e aluno implica melhor aprendizagem, melhor atuação do professor e uma educação mais prazerosa e efetiva. Com ela, o aluno tem aproveitamento até 40% superior; e os professores, uma situação de trabalho e sentimento de valorização muito melhores”, completa.

Para Fernando Portugal, professor de Geografia do Colégio Anchieta, os alunos chegam na sala de aula com uma gama enorme informações, que precisam ser consideradas. “As habilidades socioemocionais no ensino levam em conta a contribuição e a visão do aluno, e quando ele é valorizado se sente participante do processo e aprende mais”, avalia. Para ele, esse processo gera um ciclo de respeito entre professor e aluno. “Quando o aluno é ouvido e valorizado, se interessa mais pelas aulas e valoriza mais o professor”, diz.

A professora de Artes Silvia Malerba, do Colégio Anhembi Morumbi, concorda que a prática nas habilidades socioemocionais melhora a aprendizagem. “Os alunos se interessam muito mais pois deixam de ser ouvintes e vivenciam o conteúdo aprendido, que transcende para a vida”, diz.

Ela é mediadora do projeto A Roda, desenvolvido por uma aluna do 1º ano do Ensino Médio, em que temas do cotidiano são abordados, como bullying, relacionamentos, feminismo, autoestima, entre outros. No projeto, onde participam estudantes de diferentes idades e também professores, todos tem espaço para se expressar. “Isso coloca o aluno como um indivíduo, um sujeito, não só como membro de uma turma, o que melhora muito a relação professor-aluno”, diz.

As habilidades socioemocionais reúnem capacidades como autoconhecimento, colaboração e resolução de problemas, que podem ser praticadas na escola e ajudar estudantes a lidar com as próprias emoções, a se relacionarem com os outros e gerenciarem objetivos de vida.

A despeito da confirmação da sua relevância, os professores ainda não percebem as escolas engajadas em sua prática. Segundo 71,4% dos entrevistados, os colégios privados valorizam as habilidades, mas não as ensinam. A situação na rede pública é ainda pior. Para 46% dos entrevistados, as escolas municipais ou estaduais nem valorizam o tema nem chegam a ensinar as habilidades. “Estes resultados específicos mostram que estamos perdendo uma chance enorme de formar melhor nossos jovens”, diz Gregori.

Segundo os professores entrevistados, quatro habilidades mostram-se especialmente importantes para o futuro dos jovens: a consciência do coletivo (merecedora de 85,7% das menções), a autonomia (com 83,7% de votos), a autoestima e a autoconfiança (apontadas por 81,6% da base).

“Isso mostra que os professores estão alinhados com os princípios mais modernos da educação e percebem a relevância de preparar crianças e jovens para serem protagonistas de suas vidas. Assim, eles saberão definir as melhores respostas para o cenário que encontrarem nofuturo”, finaliza.


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