Alice Ripoll e a Cia. REC estreiam Lavagem no Sesc Pompeia
A companhia carioca põe em cena seis intérpretes, baldes, água e sabão para construir uma sucessão de imagens que evocam êxodos, travessias, rituais, renascimento e resistência para se perguntar sobre aquilo que precisa ser limpo, apagado ou transformado.

A coreógrafa carioca Alice Ripoll e a Cia. REC chegam à reta final da temporada no Sesc Pompeia com a estreia de Lavagem, que será apresentada de 20 a 23 de agosto, no Galpão. A nova criação encerra a passagem da companhia pela unidade, que recebeu, entre os dias 13 e 16, o solo Puff, criação e performance de Hiltinho Fantástico, também dirigido por Ripoll.
Reconhecida por desenvolver uma linguagem que aproxima a dança contemporânea das danças urbanas e populares brasileiras e das experiências vividas nas periferias do Rio de Janeiro, Alice Ripoll constrói em seus trabalhos uma investigação sobre o corpo como espaço de memória, transformação e resistência. Em Lavagem, realidade e fantasia se misturam em uma atmosfera de sonho apocalíptico, na qual o ato cotidiano de lavar ganha dimensões poéticas, históricas e sociais.
Com baldes, água e sabão, seis intérpretes constroem uma sucessão de imagens que evocam êxodos, travessias, rituais, renascimento e resistência. A água, a espuma e as bolhas transformam o espaço e os corpos, criando uma paisagem em constante mutação. Ao mesmo tempo, o gesto de lavar abre perguntas sobre aquilo que precisa ser limpo, apagado ou transformado.
“O trabalho propõe uma reflexão sobre aquilo que, afinal, precisa ser limpo: os espaços físicos, os rastros da história, as marcas deixadas pela desigualdade ou as hierarquias que organizam a vida em sociedade”, diz Alice Ripoll. “A espuma tinge os corpos e remete à invisibilidade, as bolhas sugerem um mundo de sonhos, em contraste com a dura falta de mobilidade social do mundo real”, completa.
A criação parte de uma ideia original de Alan Ferreira e reúne, no palco, Alan Ferreira, Hiltinho Fantástico, Katiany Correia, Rômulo Galvão, Tony Hewerton e Tamires Costa. O trabalho coletivo evidencia uma característica recorrente na trajetória de Ripoll: a construção de uma dramaturgia do movimento a partir dos repertórios, memórias e experiências dos próprios intérpretes.
Dirige as companhias REC, fundada em 2009 com artistas das favelas do Rio de Janeiro, e SUAVE, criada em 2014, que aproxima a dança contemporânea do passinho e de outras expressões ligadas ao funk carioca. Entre suas principais criações estão Cornaca, Katana, Bô, Lavagem, Suave, Cria e Zona Franca.
Seus espetáculos circulam regularmente por importantes festivais e teatros no Brasil e no exterior, incluindo instituições como Centre Pompidou, na França; Kunstenfestivaldesarts, na Bélgica; Wiener Festwochen, na Áustria; Kampnagel, na Alemanha; e Zürcher Theater Spektakel, na Suíça. Além da atuação como coreógrafa, Alice também desenvolve direção de movimento para teatro e cinema.