Saúde - quedas na infância e suas consequências

Quedas Infantis 
O perigo mais próximo do que se imagina

Muitos acidentes acontecem dentro de casa e poderiam ser evitados com simples ações e cuidados




Por Dra. Priscila Zanotti Stagliorio

Basta um segundo de descuido e, pronto, o acidente acontece! Geralmente é o que eu ouço de pais e mães que levam seus filhos no pronto atendimento infantil quando ocorrem quedas e lesões decorrentes delas. Infelizmente, vale reforçar que todo cuidado é pouco quando o assunto é criança, pois elas ainda não possuem discernimento sobre o perigo, o certo ou errado durante as brincadeiras. Para eles, a vida é uma aventura, sem medo e cheia de descobertas (seguras), mas sabemos que não é bem por aí. 

A queda e suas intercorrências são um dos principais motivos de atendimento e internação nos hospitais infantis de todo o país. Acontecem com bebês recém-nascidos até crianças em fase pré-adolescentes com sequelas perigosas e até possíveis óbitos. Só de imaginar, causa arrepios em todos nós. Eu, também como mãe de uma princesa de dois anos, não gosto de pensar em nenhuma das possibilidades de traumas decorrentes de quedas, ‘nem’ para a minha filha ou para os meus pacientes. Por isso acho importante evidenciar alguns possíveis motivos comuns que promovem quedas em crianças no cotidiano. 

Como acontece: 
Não existem regras ou descuidos mais comuns para que uma criança se acidente. O mais importante, antes de julgar, especialmente quando acontece algo, é saber os motivos e prevenir para evitar novas ocorrências. 

Sabemos que crianças menores de 5 anos podem se acidentar a partir de determinadas alturas, incluindo a do corpo, por meio de tropeções e desequilíbrio. Também, podem cair da cama, trocadores, sofá, cadeiras, cadeirão de alimentação, cadeirinhas de carro (quando não presas adequadamente), andador, carrinho de passeio, brinquedos de parquinho infantil, escadas e janelas (superperigosos), entre outros exemplos, como do colo de quem a segura – adultos ou crianças. 

Em crianças maiores de 5 anos, os tombos e quedas são comuns quando brincam, praticam esportes e até mesmo por se aventurarem em algo que não acreditam possuir perigo, como subir no telhado, lajes, terraços e alturas superiores não recomendadas. O beliche e escadas comuns de transito da casa – cômodo térreo para parte superior, por exemplo, também são considerados de risco, pois no menor descuido, acontecem os acidentes e podem ser fatais.  

Principais locais de queda:
Como dito antes, não existem regras e locais mais propícios aos acidentes. Mas vale alertar para alguns que podem parecer seguros e, na verdade, não são: 

- Cama dos pais: embora pareça um local aconchegante e “grande” para deixar a criança dormir ou brincar – mesmo para bebês que ainda não aprenderam a se virar ou rolar com o corpinho – é importante sempre ter alguém ao lado e acordado cuidando da segurança da criança. 
- Berços e mini camas: se não tiverem as proteções recomendadas como grades adequadas e indicadas para cada faixa etária, podem ocorrer acidentes e quedas com riscos para as crianças.

- Beliches:  a grande maioria das crianças adora altura e ficar na cama superior do beliche pode ser um troféu ou mesmo demonstração de coragem. Cuidado e segurança em primeiro lugar! Não permita que brinquem ou pulem da parte superior do beliche, assim como certifique-se de o móvel ter grades apropriadas para garantir que, ao dormirem, não corram o risco de cair. 

- Sofás: em algumas casas o sofá fica próximo a parede e, em outras, serve para dividir ambientes. Em ambos, é importante evitar deixar as crianças, inclusive recém-nascidos e bebês, dormirem sem a supervisão de adultos. Evitar a aproximação do móvel em janelas é outra medida de segurança indispensável. 

- Cadeiras, cadeirões de alimentação e mesas: também são comuns em ocorrência de quedas. Evite deixar a criança sozinha, mesmo que por segundos para pegar um item ou mesmo alimentos. Como dica, prepare tudo antes e certifique-se sobre os cintos de segurança para garantir momentos de alegria e não de tensão. 

- Brinquedos e atividades esportivas: balanços, escorregadores, gaiola labirinto (trepa-trepa de ferro ou madeira), gira-gira, cavalinho vai e vem, gangorras, cama elástica e pula-pula precisam de supervisão de adultos. Atividades circenses, olímpicas, dança, lutas, natação e outras que agregam altura ou saltos também requerem a atenção continua de adultos e de profissionais capacitados para minimizar possíveis acidentes. Lembre-se que toda e qualquer atividade ligada às crianças é necessário (sempre) garantir o máximo possível de segurança, com uso de equipamentos adequados como capacetes, luvas, cotoveleiras e joelheiras para que a diversão seja o mais importante.  

- Janelas: vale lembrar que janelas são chamariz para as crianças – seja para ver o que há do lado de fora, para sentir o ventinho no rosto ou mesmo sem motivos aparentes. O mais importante é garantir a segurança delas e não importa a moradia – casa ou apartamento. Ter grades ou redes de segurança é a primeira e mais importante dica. Evitar móveis próximos as janelas é a segunda super dica. E orientar as crianças sobre os riscos e perigos também vale. Com o tempo ela aprenderá que se trata de um local não apropriado para ela e arriscado. 


- No banho: é comum os pais quererem tomar banho com os filhos, ainda mais quando são bebês. Vale lembrar que banho junto – com o papai, a mamãe ou outras pessoas –, no chuveiro ou banheira, é sempre perigoso. A água e o sabão proporcionam pele lisa e fica difícil segurar a criança, evitando a queda. 

- Brincadeiras: recentemente circulou nas redes sociais vídeos que mostram quedas dos pais sobre o corpo da criança e com resultados tristes. Nunca brinque de andar com a criança sobre os seus pés, atrás de você ou mesmo nos ombros. Isso pode colocar a vida dela em risco pois, ao pisar ‘em falso’ ou desequilíbrio, o adulto pode derrubar e cair sobre a criança, provocando ferimentos graves e possível óbito devido ao seu tamanho e peso.

- Móveis: proteja as pontas dos móveis e evite deixar acesso para que as crianças subam neles, como estantes, criado-mudo, mesas e cadeiras. Se possível, mantenhas os locais de maior perigo longe do alcance das crianças. 

- Escadas:  também são superperigosas para as crianças. Basta um desequilíbrio e o acidente ocorre. Como dica, nuca deixe a criança sozinha próxima ou em escadas. Utilize cercadinhos, portões adaptados e grades de proteção para evitar possíveis quedas. 

Riscos:
O problema em cair não está ligado somente aos machucados que podem acontecer com as crianças como cortes, fraturas, perda de dentes ou contusões, mas especialmente às sequelas e, até mesmo, aos mais graves provocados como hemorragias (externas e internas), comprometimento de órgãos internos, traumas na região da cabeça (rosto, crânio e cérebro), do tórax, abdômen e membros. 

O que fazer quando acontece uma queda:
Manter a calma é a principal dica, pois se o adulto se descontrola a criança entra em pânico e só piora a situação. Depois, verifique a gravidade da lesão e ligue para o pediatra de rotina e siga as orientações dele sobre os primeiros cuidados e procedimentos posteriores. Caso seja uma queda significativa, que envolva desmaio, grandes lesões, fraturas expostas, e até risco de morte, ligue para a emergência e siga as orientações do profissional do outro lado da linha – se devem levar a criança para o pronto atendimento ou aguardar a chegada de uma ambulância com médicos e enfermeiros para atendimento ainda no local. Vale dizer que no primeiro instante após a queda, os pais e ou cuidadores devem avaliar as condições gerais da criança e a partir da gravidade ou não, seguirem as dicas acima. 

Cuidados diários:
- Além de todos os cuidados já mencionados, também, é bom evitar tapetes nos locais de trânsito e ou brincadeiras das crianças, pois eles são propícios aos tropeções e consequentemente a quedas. 
- No carro, nunca carregue a criança no colo, sem o cinto de segurança ou cadeirinha adequada para a idade. 
- No banheiro, evite deixar a criança sozinha. Use tapetes adequados para evitar escorregões e garantir a segurança. 
- Sempre tenha alguém responsável pela segurança das crianças, seja o pai, avós, tios e cuidadores. No menor descuido, algo pode acontecer e a lamentação não adiantará. 

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Sobre Dra. Priscila Zanotti Stagliorio
É médica pediatra há mais de dez anos, atua na zona norte de São Paulo, em consultório particular, no Pronto Socorro do Hospital São Camilo – unidade Santana, e na rede Dr. Consulta – unidades Tucuruvi e Santana. Em seu currículo possui diversas participações em congressos, cursos de especialização e atuações em prontos socorros, clinicas e ambulatórios médicos da grande São Paulo – Capital. Oferece curso personalizado para gestantes e mamães com recém-nascidos, com o objetivo de ajudá-las na mais importante missão de suas vidas: ser mãe. Para solicitar informações sobre os cursos escreva para:  priscilazs@yahoo.com.br / dicasdepediatraemae@gmail.com / contato@jcgcomunicacao.com - coloque no assunto a informação que deseja saber e ou solicitar. O consultório está localizado na Av. Leôncio de Magalhães, 395, Santana- SP / 11- 2977-8697. 
Colaboração textual: 
Agência Informação Escrita / Agência JCG Comunicação e MKT
Jornalista Carina Gonçalves
11-4113-6820 / contato@jcgcomunicacao.com

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