Cultura

“Amanda”, de Jô Bilac, estreia no Sesc Consolação 
com Rita Clemente no papel

de uma mulher que perde a audição, paladar, olfato, tato e visão



Foto 1 – Rita Clemente em cena de “Amanda” – Foto de Bianca Aun



Amanda (Rita Clemente) fica surda e mantém segredo sobre o seu estado. Com o passar dos dias, vai perdendo outros sentidos vitais, ressignificando seu cotidiano. O texto, recheado de humor e tragédia, é do carioca Jô Bilac.

Perdas sempre nos impactam, sejam quais forem. Quando um familiar, emprego ou bens se vão, não ficamos satisfeitos, à primeira vista. Mas “Amanda”, a personagem título do espetáculo homônimo, tem um olhar afetuoso para os sentidos que estão se esvaindo de seu corpo. Audição, paladar, olfato, tato e visão vão deixando de existir em Amanda. O que lhe resta é a memória, é o que legitima sua existência/resistência diante de tudo.

“Amanda” é um texto escrito pelo autor carioca Jô Bilac, que tem em cena a (re) conhecida atriz mineira Rita Clemente, um dos nomes mais respeitados da atualidade no cenário das artes cênicas de Minas Gerais e do país. A direção é dela e de Diogo Liberano, ator, dramaturgo e produtor teatral, diretor artístico da companhia carioca Teatro Inominável. Quem recebe o espetáculo em São Paulo é o Sesc Consolação no período de 12 de setembro a 11 de outubro de 2016, com temporada às segundas e terças, às 21 horas. 

Sinopse: A peça fala da luta de uma mulher que perde gradativamente os sentidos. Quando falham audição, paladar, olfato, tato e visão, a memória se mostra a companheira de Amanda. Texto de Jô Bilac, com direção compartilhada por Diogo Liberano e Rita Clemente, também a atriz em cena. 

Sobre “Amanda”: O espetáculo começa com uma carta, escrita pela personagem, endereçada à atriz, e lida para a plateia. Está posto o jogo. Dali em diante, o ficcional é o real, Amanda é o foco, corpo, espírito e personalidade da cena. Mas o quanto existe de Rita em Amanda? O quão intensamente Amanda impacta Rita no palco (e fora dele)? No palco, a ficção é Rita e a realidade, Amanda.

O jogo em cena é esse, atriz e personagem travam um diálogo subliminar. Trágico e cômico vão tecendo situações ora risíveis, ora dramáticas, para essa mulher que vive seus sentidos findarem-se. Não ouve mais, paladar e olfato não existem mais, a visão e o tato também se foram. Tudo está perdido. Mas não para Amanda.

“As perdas são como um alerta do quanto desejamos viver, e Amanda nos mostra a vontade e a determinação de sempre continuar, apesar de tudo, apesar do todo”, explica a atriz que vê em Amanda, um mulher  “que perdeu tudo, menos o amor pelas pessoas, que não parava de crescer”.

O que resta a uma mulher, de meia idade, que vê tudo esvair-se? A memória. É a partir desse registro memorialístico que as histórias de Amanda surgem no palco. Se ela viveu, e pode contar o que viveu, é porque tem um passado. E se o futuro está comprometido, o que resta são suas memórias, uma linha fina e tênue das lembranças pessoais.

A personagem se mostra cortês, sorridente, seus amigos amam-na, é maravilhosa. Nos passeios que faz com seus colegas, na impossibilidade de ouvir, sempre sorri. “Diante das impotências da vida, a gente quer continuar”, explica Rita Clemente sobre a surdez deixar Amanda uma pessoa “inofensiva”, portanto, “mais amável”. 

A equipe de criação: “Amanda” é um projeto pensado por Rita Clemente a partir de um texto do autor Jô Bilac. Artista graduada em Música pela UEMG e formada em Teatro pelo CEFAR/Palácio das Artes, sua trajetória profissional dá indícios que a intermidialidade é uma das marcas do seu trabalho.

Ao se responsabilizar pela direção geral, concepção e atuação desse espetáculo, a mineira de Araxá, mas belo-horizontina desde criança, evidencia que seu fazer teatral está alinhado a um modo particular de produção, que se distancia de um certo modelo que pode haver no mercado.

Uma das marcas do trabalho de Rita Clemente é a musicalidade sempre presente em suas montagens. A trilha sonora, original, é mais um dos textos paralelos que dialogam entre si.

Humor e tragicidade são marcas da escrita de Jô Bilac, hoje o autor de teatro mais celebrado do Brasil e, mesmo jovem, tem consolidado uma carreira brilhante já com uma vasta obra premiada.

“Amanda” é um espetáculo íntimo que preserva o humor do texto do autor mas se aprofunda nas inter-relações entre ator e personagem. Rita Clemente, além de atuar, divide a direção com o diretor Diogo Liberano, e com essa parceria também propõe uma dramaturgia paralela, um diálogo entre ator e personagem. 

A trajetória de “Amanda”: A estreia de “Amanda” em Belo Horizonte, no Teatro de Bolso do Sesc Palladium, deu início ao projeto Criações de Bolso e também com a criação do CECAD - Centro de Criação para Atores e Diretores - coordenado pela artista e professora Rita Clemente.

O texto “Amanda” também teve uma versão mais concisa, reduzida, como um dos solos na trilogia “Fluxorama” quando estreou no Rio de Janeiro, quando recebeu duas honrosas críticas, uma de Barbara Heliodora (“Rita Clemente tem uma atuação exemplar como a surda Amanda, com uma variedade de tons e ritmos que aproveita muito bem a riqueza do texto”) e outra de Rodrigo Monteiro (“Rita Clemente, por sua vez, é sabido que divide o lugar das melhores atrizes de teatro do Brasil com Bibi Ferreira, Fernanda Montenegro, Débora Olivieri, Kelzy Ecard, Adriana Seiffert, Dani Barros, Sandra Dani, Georgette Fadel, Adassa Martins e outras, cada uma na sua idade e no seu contexto”).

Aqui nessa montagem vinda de Belo Horizonte, “Amanda” se mantém na íntegra, ganha uma dinâmica especial, se aprofundando no desenvolvimento da personagem que vive a progressiva perda dos sentidos: audição, paladar, olfato, tato e visão. Esses cinco sentidos, que a princípio são revelados pelo texto, se desdobram numa segunda camada narrativa, paralela ao texto. Nesta montagem, a memória é o centro das ações da personagem e seu maior desafio.

A dramaturgia de Jô Bilac coloca em jogo as relações sociais, o automatismo cotidiano; o esforço do ser humano em se manter ligado a seu grupo de amigos e família mesmo diante da mais alta “deficiência” destas relações. “Amanda” não abre mão de fazer parte da vida daqueles que ama e sua deficiência a leva a redescobrir como fazer isso. 

Rita Clemente: Indicada ao Prêmio Shell SP e Qualidade Brasil SP, em 2008, pela direção de “Amores surdos” (Grupo Espanca!), Rita desenvolve também um trabalho autoral baseado no diálogo entre teatro e música, como em sua abordagem do texto “Dias Felizes” de Samuel Beckett (Prêmio Usiminas Simparc de Melhor Figurino, assinado por ela, e indicado em cinco categorias ao Prêmio Questão de Crítica, ganhando como Melhor Direção). Nos últimos anos, assinou a direção de espetáculos de importantes grupos mineiros e outras entidades, como o espetáculo “Nesta data querida” (Cia. Luna Lunera);”Rubros” (de Adélia Nicolete); “O rinoceronte”, no Cefar/2007/ Palácio das Artes; “Amores surdos” (Grupo Espanca!), e “Dias de verão” (O Clube). Em 2012, coordenou a Edição Comemorativa de 15 Anos do Oficinão Galpão Cine Horto, no Espaço Cultural do Grupo Galpão, assinando a direção do espetáculo “Delírio e vertigem”, com textos curtos de Jô Bilac e direção de arte de Luciana Buarque. Na televisão, estreou no seriado “A cura”, em 2010, com direção de Ricardo Waddington e fez parte do elenco da novela “A vida da gente” (2011-2012), acaba de fazer parte do elenco de "Liberdade Liberdade", direção Vinicius Coimbra,  da TV Globo. 

Ficha Técnica: 
Direção Geral, Concepção e Atuação: Rita Clemente
Codireção: Diogo Liberano
Assistente de Direção: Paulo Maffei
Texto: Jô Bilac
Trilha Sonora Original: Marcio Monteiro
Criação de Luz: Leonardo Pavanello
Preparação Corporal/Direção de Movimento: Cristiano Sousa Reis
Fotos: Bianca Aun
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques
Operação de Luz São Paulo: Silviane Ticher
Produção e Difusão São Paulo: Dora Leão – PLATÔproduções 

Serviço:
De 12 de setembro a 11 de outubro de 2016
Segundas e terças, às 21h00
Sesc Consolação - Espaço Beta
Endereço: R. Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque – 3° andar
Capacidade: 50 lugares
Duração: 60 min/ Recomendação: 14 anos
Ingressos: R$ 20,00 (inteira)/ R$ 10,00 (meia-entrada: estudante, servidor de escola pública, +60 anos, aposentado e pessoa com deficiência)/ R$ 6,00 (credencial plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).
Ingressos à venda pelo Portal sescsp.org.br a partir do dia 6/9, às 18h, e nas bilheterias do Sesc São Paulo dia 8/9, às 17h30.


Fonte: Canal Aberto Assessoria de Imprensa


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